Saturday, May 06, 2006

Let me not

Numa semana em que Coimbra está em festa e com a Fonte dos Amores como pano de fundo, deixo-vos aqui o meu soneto preferido de Shakespeare e a respectiva tradução de Vasco Graça Moura, confesso-vos que não gosto muito desta tradução, mas é a única que possuo.


Foto:MT

"Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments; love is not love
Which alters when its alteration finds,
Or bends with the remover to remove.
O no, it is an ever-fixed mark,
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wand`ring bark,
Whose worth`s unknown,although his height be taken.
Love`s not Time`s fool, though rose lips and cheeks
Whitin his beding sickle`s compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved."


Foto:MT

"Não haja impedimentos à união

de alma fiéis; amor não é amor

se se alterar ao ver alteração

ou curvar a qualquer pôr e dispor.

Ah, não, é um padrão constante

que enfrenta as tempestades com bravura;

é estrela a qualquer barco navegante,

de ignoto poder, mas dada altura.

Do Tempo o amor não é bufão, na esfera

da foice curva em bocas,róseos rostos;

com breve hora ou semana não se altera´

e até ao julgamento fica a postos.

E se isto é erro e em mim a prova tem,

nunca escrevi e nunca amou ninguém."

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