Thursday, March 23, 2006

Ana Ester Neves



A senhora que decidi homenagear hoje, é definitavamente uma grande senhora, de todas as que homenageei até hoje, é a que me está mais próxima e por quem sinto uma admiração sem limites.
Esta senhora foi a minha professora de Canto de uma forma jamais atingida por outra, é a minha fonte de inspiração, com quem aprendi metodos de trabalho mas também lições de vida. Com uma força de vontade inigualável, um amor à arte e à vida fora do comum.
Tenho noção que para quem não a conheça, possa parecer demasiado, mas foi a minha professora de Canto. O lugar que ocupa dentro de mim, jamais será ocupado por outra. E isto só quem me conhece bem consegue compreender.
Por isso faço uma vénia para dar lugar à biografia de Ana Ester Neves, e se Miguel Sousa Tavares disse "Ninguém deve morrer sem ter ido pelo menos uma vez ao deserto!", eu digo-vos: - Ninguém deve morrer sem ter visto Ana Ester Neves em cima de palco!
Reconhecida intérprete de música de câmara, a soprano Ana Ester Neves conta também com uma sólida carreira operática, em Portugal e no resto da Europa. Tem dedicado parte significativa da sua carreira à música contemporânea, com especial destaque para a música portuguesa, tendo estreado óperas de António Pinho Vargas, de Alexandre Delgado e de Theodore Antoniou.
Diplomada pelo Conservatório Nacional de Lisboa, continuou os seus estudos na Royal Academy of Music (Londres) e na Universidade de Boston, onde concluiu o Mestrado em Interpretação. Reconhecida intérprete de música de câmara, tem exercido uma actividade intensa quer em Portugal, quer na Inglaterra, Áustria, Alemanha, Itália, Grécia, Espanha, França e EUA. Nestes paises apresentou-se também nas óperas: Carmen (Micaela), A Traviata (Violetta), As Bodas de Fígaro (Contessa), Eugene Onegin (Tatyana), La Bohème (Musetta), Le Rossignol, L’Isola Disabitata, Porgy and Bess (Bess), D.Giovanni (D. Elvira), The English Cat, Parsifal, Boris Godunov (Xenya), Albert Herring (Lady Billows), Neues vom Tage (Laura) entre outras.
Dedica parte da sua carreira à divulgação da música portuguesa, tendo-a apresentado em recitais em Paris, Madrid, Londres e Turim.
A música contemporânea também tem tido um papel de destaque na sua carreira. Estreou a ópera The Bacchae (Agave) de Theodore Antoniou em Atenas e as óperas portuguesas O Doido e a Morte (D.Aninhas) de Alexandre Delgado, Édipo, ou a Tragédia do Saber (Jocasta) e Os Dias Levantados (O Anjo Camponês) de António Pinho Vargas.
Destacam-se as suas interpretações da 14ª Sinfonia de Chostakovitch, de Les Illuminations de B. Britten, e das Szenen aus Goethes Faust de R.Schumann.
No domínio da oratória destacam-se as suas participações em: Requiem de Mozart, com a Orquestra e o Coro Gulbenkian (Coliseu dos Recreios); Requiem de Brahms (Londres); Cantatas e Weihnachtsoratorium de Johann Sebastian Bach (Lisboa e Londres); e na estreia mundial do Requiem para o Planeta Terra de João Pedro Oliveira.
Ganhou os prémios operáticos Gilbert Betjemann e Ricordi e obteve os primeiros prémios nos Concursos Internacionais de Canto Mary Garden (Inglaterra) e Luisa Todi (Portugal).
Gravou a Sinfonia nº6 de Joly Braga Santos para a Marco Polo e Os Dias Levantados de António Pinho Vargas para a EMI-Classics. Gravou também para a RTP, RDP e BBC.
É membro fundador do Trio Vissi d’Arte e é membro do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa.
No campo da Pedagogia foi Professora Assistente da Disciplina de Canto na Universidade de Boston, leccionou Canto no Conservatório Regional do Algarve e na Universidade de Évora e Técnicas e Expressão Vocal na Escola Profissional de Teatro de Cascais. É convidada frequentemente para leccionar masterclasses de Canto nas Universidades e Conservatórios Portugueses. Tem realizado várias Acções de Formação sobre Técnica Vocal para Professores e para Locutores da Rádio e Televisão.

2 comments:

Pequenina said...

Bem.... na verdade nunca a tinha ouvido e fiquei completamente parva e sem reacção quando começou a cantar....

Estou a tentar arranjar palavras para descrever mas não consigo.... só dizer que cada vez que cantava eu me arrepiava toda.....

Não foi muito tempo mas.... deu para perceber que alem da voz... parece ser uma pessoa formidável e é um amor :)

(Cantou o Requiem de Fauré, eu estudo na Esart em Castelo Branco...)

alseabra said...

Em relação aos anteriores comentários só posso dizer isto (como antigo colega, com muita estima, afeição e ternura): e não sabem vocês o que ouvem!!! Nem sonham!... A Ana Ester é ... como direi ... a nossa ... (posso? - Ester, não te ofendas, por favor - é com todo o meu afecto e sensibilidade que o digo) Montserrat Caballé!!! - Quero dizer: iguala-a completamente!!!
Karpouzis Lawyer.