*Plagiando Paulo Coelho, não gosto muito da escrita do senhor mas desse livro ( "Na margem do Rio Pietra sentei e chorei") gostei!
Sunday, July 29, 2007
Rescaldo Parisiense
*Plagiando Paulo Coelho, não gosto muito da escrita do senhor mas desse livro ( "Na margem do Rio Pietra sentei e chorei") gostei!
Wednesday, July 04, 2007
The Divine Comedy - Our Mutual Friend
Hoje apetece-me deixar-vos aqui um bocadinho do meu mundo imaginário, a minha banda preferida (entre os vivos) numa interpretação ao vivo de uma das minhas músicas preferidas - The Divine Comedy em "Our mutual friend". Espero que gostem.
Sunday, July 01, 2007
Vou saltar!
A caixinha das emoções fechou, vejo agora que é mesmo o terminar, o fim, hoje em dia apenas anseio para que uma nova etapa comece. Acho que por ter vivido demasiado o ciclo que agora encerra, este não me deixa saudades, mas começa a provocar-me ansiedade a espera pelo novo.
Do ciclo que agora encerro, não deixei nada por viver, vivi tudo, vivi ao máximo e em pleno, como deve ser....o erro foi tê-lo vivido demasiadas vezes....mas enfim ninguém nasce ensinado.
Agora resta-me encarar o desconhecido com um sorriso nos lábios porque de repente já não tenho medo....
É hora de saltar!
Thursday, May 31, 2007
Despedida....
Tuesday, May 22, 2007
Pushed Again
Apetece-me escrever. Há muito tempo que não me apetece…aconteceu hoje!
Imagino a praia, imagino sempre uma praia no início de qualquer processo criativo, seja literário ou musical, talvez porque o mar represente a liberdade, liberdade esta necessária para completar qualquer folha em branco. A liberdade de espírito que procuro alcançar, a liberdade que se encontra grilhada pelo que é suposto, na “Pushed Again” dos Die Toten Hosen, está bem patente esse meu sentimento:
«Why should I go where everyone goes?
Why should I do what everyone does?
I don't like it when you get too close
I don't want to be under your thumb
I'm feeling pushed again....
Why can't you just leave me alone?
solitude is a faithful friend
turn the lights off - I'm not home
can't you see
I don't need your help?
You're going too fast when I want to go slow
you make me run when I want to walk
you're sending me down a rocky road
I get confused
when you start to talk
I'm feeling pushed again...
Why can't you just leave me alone?
You're dragging me right to the edge
I've got to go
when you jerk my rope
I don't know
where the good times went»
Por vezes sinto quando começam a falar que estão a invadir o meu espaço, que me estão a invadir, não gosto, sinto-me encurralada….deixe-me em paz, a solução há-de vir no seu devido tempo, a solução chega com o silêncio, com a paz de espírito como conclusão. Tenho de ter tempo e espaço para que tudo isso aconteça.
Sou sozinha, não me canso de repetir isto, sempre fui, gosto de escolher a companhia quando a desejo ter, não gosto que me imponham presenças e regras, nem que me macem com sermões. Eu gosto de estar sozinha, gosto do silêncio e da paz de espírito que me permite, os sons, as vozes e os ruídos por vezes irritam-me e enjoam.
Sei que estou numa encruzilhada mas tenho de sair dela sozinha, não me imponham soluções, não me venham com mezinhas, deixem-me estar, deixem-me ser. Deixem que seja eu a escolher o caminho.
Chegou a época do medo, esta época é sempre propensa a que os meus medos saiam cá para fora, que me atormentem noites e dias afio, costuma ser também uma época de revelações. “This is it, don`t be scared now!” a vida precisa de seguir em frente, não a posso barrar mais.
Patricia O`Callaghan
Deixo-vos aqui um pequeno excerto, de um espectáculo fenomenal, com uma das vozes que mais admiro Patricia O`Callagham.
É bastante dificil encontrar material desta senhora em terras lusas.
Wednesday, April 25, 2007
2º Aniversário do Entre Mares e Planuras
Monday, April 23, 2007
Music & Lyrics
a letra é daquelas que se entranham no nosso ser passando de repente a representar tudo aquilo que nunca fomos capazes de verbalizar, fica aqui:
I’ve been living with a shadow overhead
I’ve been sleeping with a cloud above my bed
I’ve been lonely for so long
Trapped in the past, I just can’t seem to move on
I’ve been hiding all my hopes and dreams away
Just in case I ever need em again someday
I’ve been setting aside time
To clear a little space in the corners of my mind
All I want to do is find a way back into love
I can’t make it through without a way back into love
Oh oh oh
I’ve been watching but the stars refuse to shine
I’ve been searching but I just don’t see the signs
I know that it’s out there
There’s got to be something for my soul somewhere
I’ve been looking for someone to shed some light
Not just somebody just to get me throught the night
I could use some direction
And I’m open to your suggestions
All I want to do is find a way back into love
I can’t make it through without a way back into love
And if I open my heart again
I guess I’m hoping you’ll be there for me in the end
There are moments when I don’t know if it’s real
Or if anybody feels the way I feel
I need inspiration Not just another negotiation
All I want to do is find a way back into love
I can’t make it through without a way back into love
And if I open my heart to you
I’m hoping you’ll show me what to do
And if you help me to start again
You know that I’ll be there for you in the end
Não se pode dizer que não tenha poder de encaixe, eu pelo menos revi-me....
Esperemos que todos consigamos encontrar o nosso caminho "back into love", ao contrário do que costumo admitir confesso que já estou a precisar.
Sunday, April 22, 2007
A Estrada
Foto: MT
Que desafios me aguardam, que páginas serão escritas....
A Estrada leva-me sempre para lugares nunca antes visitados, mesmo aqueles por onde já passei. Limpa a alma, faz renovar os pensamentos, leva a novos conhecimentos.
Saturday, April 21, 2007
Fotos
Monday, April 16, 2007
Dia Mundial da Voz
A voz é o nosso melhor instrumento, preservem-no.
"
Oiça a Sua Voz,
Cuide da Sua Voz,
Goste da Sua Voz
Dra. Andreia Rodrigues, Terapeuta da Fala
Data: 2006-04-13
O Dia Mundial da Voz, tem como objectivo a sensibilização para a importância da voz, suas alterações e os cuidados a ter, para manter uma voz saudável.
O que é a Voz?
Como se produz a Voz?
O que prejudica a Voz?
Tabaco
Álcool
Cafeína
Poluição
Diferenças de Temperatura
Mudanças de estação de ano
Bebidas quentes e geladas
A temperatura do nosso corpo é constante, mas sempre superior àquela existente numa bebida fria/gelada como a água, cerveja ou leite provenientes do frigorífico, provocando uma vasoconstrição da região faríngea e laríngea e assim uma diminuição do lúmen dos espaços de ressonância (limitando amplificação da voz).
Stress
Mau uso e Abuso Vocal
*Sinais e sintomas de alerta
*Cuidados a ter com a Voz
Manter uma voz saudável, requer alguns cuidados diários:
Faça gargarejos com uma solução salina em água tépida
Lave as fossas nasais com soluções aquosas (como o soro fisiológico) ou vaporizações diárias
Reduza a ingestão de bebidas como o álcool, café, bebidas com cafeína, chá preto e bebidas gaseificadas e o consumo de pastilhas à base de menta, que podem provocar desidratação
Não fume, evite frequentar ambientes com fumo
Evite ambientes com ar condicionado
Faça repouso vocal, após o uso prolongado de voz ou uso vocal de intensidade muito forte
Utilize uma articulação adequada (com movimentos amplos da língua, dos lábios), velocidade do discurso moderada
Evite usar a voz (em duração e intensidade) sempre que esteja “constipado”, ou em crises de alergias
Reduza o consumo de condimentos na alimentação (como o piripiri) provocam azia e má digestão
Mantenha um estilo de vida saudável (faça desporto, tenha uma alimentação equilibrada, durma no mínimo 8h, passeie, relaxe e divirta-se).
*Intervenção na Voz - Equipa Multidisciplinar
Na existência de alterações na qualidade da voz, devem ser consultados profissionais de saúde como o otorrinolaringologista e a terapeuta da fala, habilitados para avaliar a situação, diagnosticar e estabelecer a intervenção terapêutica mais adequada.Os problemas de voz, atingem na maioria adultos e jovens, mas também crianças. A intervenção na área da voz, conforme o caso clínico, requer uma comunicação com vários profissionais e famílias, de forma que a complementariedade em todo o processo terapêutico, revele eficácia na resolução do problema de voz:

Bibliografia
Dia Mundial da Voz. http://www.els2004.com.pt . 10-04-2006, 13:30.» Guimarães, I. (2002).
An electrolaryngographic study of dysphonic Portuguese speakers. Dissertação de doutoramento. Londres: University of London.» Guimarães, I., & Cruz, M. (1995).
Manual de Intervenção da Voz. Curso teórico práctico. Lisboa: Fisiopraxis.» Rodrigues, A. (2004).
A voz e o stresse em fumadores. Monografia final do curso bietápico de licenciatura em Terapia da Fala: Escola Superior de Saúde do Alcoitão.» Cruz, C., (1998).
Reabilitação vocal. In: S. Ruah & C. Ruah (Eds.), Manual de Otorrinolaringologista (Vol. V, pp. 116-122). Amadora: Roche Farmacêutica.» Vartanin, A., Beecher, H., & Alvi, A., (2005).
Perturbações da voz. Postgraduate Medicine (edição portuguesa), 24 (2), 80-88."
Monday, January 22, 2007
A Caixa Encarnada - Capitulo III
Lembro-me ainda do primeiro dia que te vi, entrei naquela sala na casa da Joana, os meus olhos “scanaram” imediatamente a tua pessoa mas fingi que não vi. Encontramo-nos várias vezes nos meses seguintes, fui disfarçando a curiosidade e o interesse que a tua pessoa despertava em mim. Trocava algumas palavras contigo mas sempre de circunstância, nunca avancei muito na conversa, talvez porque já sabia que se o fizesse corria o risco de me apaixonar por ti e isso não estava nos meus planos.
Não contava que naquele dia, 24 de Janeiro lembro-me perfeitamente, tivéssemos de partilhar um guarda-chuva…Partilhar como quem diz, estávamos os dois debaixo do mesmo guarda-chuva, porque eu fiquei completamente molhada, eu sou baixinha e tu és um bocado alto, o que fez com que o guarda-chuva não me tenha servido de grande coisa. Tu reparaste no sucedido, pediste me desculpa, como se a tua altura fosse culpa tua…Lembro o teu sorriso, entre um encolher de ombros, como se fosses um menino que tinha acabado de fazer asneira, conquistaste-me nesse olhar. Seguiu-se um jantar, uma ida ao cinema, de repente o meu mundo deixou de fazer sentido sem o teu.
Tenho saudades desses tempos, tenho saudade do teu sorriso de menino, tenho saudade de acordar e ficar bem quietinha a ver-te dormir…tenho saudades tuas. Deus, como tenho saudades tuas, por vezes abre-se um buraco bem no centro do meu peito que te pertence, e que espera que o venhas preencher. É tarde de mais…um dia esta saudade vai passar.
Tuesday, December 12, 2006
A Caixa Encarnada - Capitulo II
Passei todo o dia, a percorrer joalharias, não encontrava as que achava serem as nossas, aquelas que simbolizavam tudo o que sentia por ti. Consegui encontrar as tulipas pretas que tanto gostas, pedi à florista que fizesse o ramo o mais simples possível. Quando entrei em casa, não cabia em mim de contente, sempre pensei que te estaria a fazer a surpresa da tua vida. Quando te estendi a caixa encarnada, e fiz a pergunta mais difícil de toda a minha vida, aquela que me dava mais satisfação, nunca pensei que a tua resposta fosse a aquela. Não aguentei, virei-me e trinquei a mão para que não ouvisses o grito que me transbordava a alma.
Sempre soube que o casamento não fazia parte dos teus planos, mas pensei que, ao fim de quatro anos e meio a viveres comigo, quisesses. Afinal a única diferença era o papel. E eu gostava tanto de te ter como minha mulher… Doeu-me tanto que decidi sair de casa, deixar-te a ti que eras a pessoa mais importante da minha vida, com quem pensei partilhar todos os meus sonhos e medos. Pior do que o não, foi a indignação que demonstraste, como se te estivesse a ofender, como se fosse a coisa mais estúpida do mundo, eu querer casar-me contigo. Pisaste os meus sentimentos, não consegui olhar mais para ti, era demasiado doloroso.
Quando sai de casa pensei nunca mais encontrar um rumo na minha vida. No entanto não foi isso que se passou, encontrei uma pessoa espantosa, alguém que me ajudou a tratar a ferida que me abriste no peito. Alguém que me ouviu quando mais precisava, mais necessitava de um ombro amigo, ainda sonhava contigo todas as noites e todos os dias. A pouco e pouco foste tornando mais distante deixaste de fazer parte do meu quotidiano. E ela começou a preencher-me os dias, os pensamentos, a minha vida.
Fomos viver juntos. Até que um dia ela perguntou-me logo de manhã, acabadinhos de acordar: E se casássemos? De um modo simples, sem grandes confusões, nem preparações. E eu respondi-lhe que sim, nem pensei, foi bastante natural. Estou feliz com a minha decisão, incrivelmente foste tu a primeira pessoa a quem tive necessidade de dizer.
Telefonei-te. Pareceste surpreendida quando ouviste a minha voz. Não falávamos há três meses, achei que não era noticia que se desse pelo telefone. Fomos tomar café, cheguei mais cedo, quando te vi aparecer ao longe a tua figura pareceu-me desconhecida, foi como se tivesse esquecido os teus contornos, o jeito do teu cabelo, a tua maneira de andar, até a tua voz. Iniciámos a conversa com as coisas banais, a família de cada um, os amigos que deixaram de ser comuns… até que me perguntaste: Que notícia é essa tão importante que não me podias dizer por telefone? Respondi-te, entre dentes, vou casar! Nunca paraste de me surpreender, começaste a rir como se não existisse amanhã, mais uma vez brincaste com algo que para mim era importante. Magoaste-me outra vez, quase tanto como da primeira. Mas continuavas a ser uma pessoa importante na minha vida, uma pedra fundamental no meu ser, por isso perguntei se querias ser a minha madrinha de casamento, balbuciaste umas palavras que imaginei quais fossem, disseste-me que não, era um absurdo, levantaste-te e foste embora.
Decidi naquela hora continuar a minha vida, sem me lembrar mais de ti. Mas desde aquele dia que voltaste ao meu imaginário. Foi uma asneira aquele telefonema, como sempre decidi seguir o meu coração e nem pensei.
Agora trago-te comigo no peito e não sei como te expulsar.
Monday, December 11, 2006
A caixa encarnada - Capitulo I
Eis o inicio de uma história, não sei se tenho muito jeito para capitulos e histórias longas, mas vou experimentar, vocês serão as minhas cobaias, digam de vossa justiça.
O inicio do texto não é meu, é de um site que nos desafia a fazer este tipo de coisas (http://livrodosbonsprincipios.wordpress.com/).
O que prometeste naquela noite é que regressarias mais tarde, “daqui a pouco”, com uma surpresa boa. Não disseste que me trarias uma caixinha encarnada, embrulhada em cetim preto, com um anel de preço comprometedor a fitar-me e a brilhar mais do que eu. Não me disseste que esperavas que a abrisse com entusiasmo ou que respondesse à tua pergunta (aquela que nunca quis ouvir!!! e que vai bem com a nossa música preferida) com o mesmo encanto eufórico com que a pronunciaste. Não me disseste nunca que esperavas mudar a minha forma de encarar a vida e a morte do amor, nem nunca esperaste fazê-lo entre lençóis, porque aí apenas inventamos que estamos vivos… Fiquei tão indignada contigo! Ou foi raiva? Ou decepção?
Balbuciaste umas palavras de incompreensão que nenhum de nós quis ouvir, que fingi não ouvir, voltaste as costas e eu soube que estavas a tapar o choro ou o grito com a palma da mão. Sei que te esmaguei, mas os teus sentimentos eram demasiado tenros, como fruta que pisamos no chão, mesmo sem querer ou quando queremos mordê-la mas se desfaz nas nossas mãos.
Agora sei que vais casar. Por isso decidiste encontrar-te mais uma vez comigo… Para me dizeres isso. Talvez humilhar-me. Não me conheces. Mas porque é que esta conversa tinha que acabar sem roupa, como as outras antes desta? Casa-te. Quem fica com as tuas alianças sou eu.
Fico-te com as alianças e com o coração. Não me conheces, tal como não me conhecias na altura, como é que te pode passar pela ideia que nos pudéssemos casar? Como pensaste que eu me iria casar? Esse tipo de pensamento da tua parte trespassou-me como se as tuas palavras fossem espadas. Não se está cinco anos com alguém sem o/a conhecer, devias saber melhor que isto, ou achavas que, quanto dizia que era contra o casamento, estava a falar dos outros ou a fazer um género? O casamento não se enquadra como o meu modo de vida, com o que quero para mim, tu acima de todas as pessoas devias saber isso. Eu sabia que no teu intimo era tua vontade casar, mas sempre pensei que abdicavas desse desejo por saberes que eu não fazia a melhor intenção de o fazer. Naquele momento morreste para mim, como morrem todos aqueles que me magoam.
Quando recebi o teu telefonema, demorei a perceber o que pretendias. Disseste que querias contar-me uma coisa que para sempre iria mudar a tua vida. Pensei que fosse algo profissional. Por isso concordei em encontrar-me contigo. Quando mo disseste comecei a rir, pensei que estivesses a gozar, perguntei-te até a brincar se se tratava de alguma imigrante que precisava de visto, lembras-te?
Não acredito que seja tão fácil esquecer alguém com quem se viveu durante quatro anos e meio, em três meses, muito menos acredito alguém no seu perfeito juízo case com alguém com quem tem uma relação de menos de três meses…não o consigo compreender. Talvez seja possível, é certamente possível no teu caso, porque o vais fazer. Parece-me abuso que me convides para tua madrinha de casamento, não é normal. Recusei…não vou fazer parte da tua loucura. Além disso dói teres-me esquecido, em tão pouco tempo. Fere-me no mais íntimo do meu ser. Queres saber se ainda gosto de ti? É óbvio que sim, não se esquece uma história como a nossa em tão pouco tempo.
Tuesday, December 05, 2006
Monday, December 04, 2006
Retrato de Adolescente
Amanhã é segunda, detesto as segundas-feiras. Detesto ter que voltar a ver todas aquelas pessoas que estão na escola. Mas tenho que ir e com um sorriso nos lábios. Não deixo perceber que me provocam, raiva, angústia, mau estar, que me fazem sentir como se tivesse perdido a minha dignidade, o meu carácter, a minha opinião, a minha vontade. Não sei se me humilham por prazer. Refugio-me no meu próprio mundo, um mundo em que sou tudo o que sempre quis ser. No meio desta dor tortuosa aparento ser feliz, habituei-me a fingir toda essa felicidade, para que não entrar num abismo ainda mais profundo. A minha alma negra e transtornada não permite passar essa fronteira. As tentativas de suicídio, fui sempre demasiado cobarde para infligir dor em mim própria, apesar de várias vezes as ter iniciado, deixaram de atordoar o meu pensamento. As fugas da realidade, sempre infrutíferas, já não se transformam em fugas reais, são demasiado penosas para a minha mãe. Mas a realidade é que continuo a querer fugir, não sei para onde, penso que para o mundo dos sonhos, talvez. Quero sair desta cidade, ir para o mundo onde outrora me sentia compreendida, quero estar no meio dos animais, porque sinto que estes são os únicos que me conhecem, que me percebem, que me entendem, quero voltar para o Alentejo.
Escrevo muito, tenho vários blocos de apontamentos, leio muito, no pouco tempo que me resta da minha actividade escolar e desportiva. São a única brecha, para o mundo dos sonhos, que me é permitida. Ouço música, muita música, o prazer último da minha existência, ouço sempre música, nas aulas, na rua, sempre…até mesmo quando não existe nenhum rádio presente. As canções transformam-se em escapes da realidade, transportam-me para um mundo que não pode ser meu, mas que no entanto me faz sentir verdadeiramente à vontade. Queen, Luís Represas e Beatles são os meus guias. De tal forma que por altura da morte de Freddy Mercury passei todo o dia a chorar, escrevi-lhe um poema durante a primeira aula da manhã e desenhei um retrato a carvão que coloquei na porta do armário do meu quarto, foi como se um amigo tivesse morrido, na minha realidade foi.
A minha mãe está a chamar-me para ir jantar, terminou o meu momento, volto a ter uma cara contente, alegre e pronta para enfrentar a vida. Amanhã é segunda-feira, tenho tanto medo…
Sunday, December 03, 2006
Balada do 5º ano Juridico
Balada do 5º ano Juridico pelo Grupo de Fados da UM
Palavras para quê? Ouçam a letra...e quem sente a Tradição não precisa que se diga mais nada.
Guardem a caixinha das emoções porque ela vai entrar em ebulição.
Boa Noite
Monday, November 27, 2006
A mente
Reprodução de um quadro de Zé Penicheiro (quem não conhece que descubra a obra que é realmente fantástica)Realmente a nossa mente, é um bichinho bem confuso e cheio de labirintos. Mas por vezes basta uma boa conversa para tudo ficar resolvido dentro de nós. E compreendemos que por vezes ela gosta de nos provocar sentimentos que colmatem falhas antigas, sendo que estes podem ser meramente ilusórios e basta-nos um raciocinio rápido para nos apercebermos das armadilhas que nos pregou.
A minha mente quis brincar comigo e baralhou todo um sistema existencial previamente definido. Mas basta encontrarmos o "ficheiro" danificado para repor todo o sistema novamente.
Estou de volta, cheia de força e com vontade para dar umas valentes gargalhadas.
Obrigada a todos os meus amigos, que nesta altura confusa que passei, me demonstraram porque os posso chamar de verdadeiros amigos.
Depois de toda a tempestade chega a bonança e a minha já chegou. Aprendeu-se mais alguma coisinha no caminho, que afinal de contas é para isso que cá andamos...
A única coisa que me preocupa neste momento é o sono e a fome que tenho, provocada por este "bug" porque fui atacada. Vou tratar disso.
Beijinhos
Mulholland Drive
Foto: MTTal como o Vasco (41m) começei a ver as letras das músicas de outra forma, deixo-vos aqui um trecho de um poema dos The Gift "Fácil de Entender", agora faz todo o sentido.
Talvez por saber o que não será melhor, aproximei(...)
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender.
Talvez por não saber falar de cor, imaginei. (...)
Obrigado por saberes cuidar de mim, tratar de mim, olhar para mim...
Escutar quem sou e se ao menos tudo fosse igual a ti...
(...)não sei o que é sentir
Se por falar, falei, pensei que se falasse era fácil de entender."
Saturday, November 25, 2006
Ausência
Foto: MTFriday, November 10, 2006
Atchim, atchim, sniff, sniff, coff, coff...
Wednesday, November 08, 2006
Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas
Nunca fui à Lua, mas passo lá os dias.
Nunca fui cientista, mas reinvento-me todos os dias.
Nunca me perdi, mas perco-me nos meus pensamentos.
Nunca me senti abandonada, mas vivo só.
Nunca deixei de ouvir música, mas adoro o silêncio.
Nunca me senti presa, mas a ideia aterroriza-me.
Nunca saltei de pára-quedas, mas já me estatelei várias vezes.
Nunca corri a maratona, mas já me senti como se o tivesse feito.
Nunca dei a volta ao mundo, mas no mapa já percorri as principais estradas.
Nunca visitei a Biblioteca do Congresso em Washington, mas gostava de ler todos os livros que ela contém.
Nunca gostei de pássaros, mas adoro voar.
Nunca gostei de alguém e fui correspondida, mas gostava de experimentar.
Nunca fui à Baviera, mas se pudesse voltava lá todos os dias.
Nunca saltei de um precipício, mas sinto-me cair a cada dia que passa.
Nunca fiz mergulho, mas é debaixo de água que me sinto livre.
Monday, November 06, 2006
Um fantástico fim de semana
Foto: MTFriday, November 03, 2006
O Mar

Foto: MT
Ai as saudades do mar...
Dos passeios na praia em pleno Inverno.
Venha a água acalmar a alma, que anseia pela paz, que nem o ronronar da minha princesa consegue provocar.
"Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
Nem sei se vale a pena
Tentar-vos descrever
O Mar, O Mar
E eu fui aqui ficando
só para O poder ver
E fui envelhecendo
O Mar, O Mar"
Sunday, October 22, 2006
Fragmentos de Mim
Nunca foste uma desilusão, nem conto que o venhas a ser. Nunca foi o meu propósito. Mas por vezes ser “eu” não é muito fácil, tenho noção que sou 8 ou 80, nunca fui capaz do 40. E por muito que o exija, para mim o equilíbrio não é fácil, eu sou corda bamba, preciso da emoção para me sentir viva. Por isso não sou consensual. Como tal, não o sendo em alguns aspectos, sou extremamente emotiva, nem sempre consigo controlar essas emoções, quando isso acontece o meu lado racional cessa, deixa de existir. E foi isso que aconteceu, depois paro para pensar, com o coração já frio, e vejo as injustiças que cometo, mas infelizmente não fui capaz de as controlar. Um dia pode ser que isso acabe, para já é superior a mim, não o controlo.
Peço desculpa por tudo. 100% Sei como sou difícil de aturar por vezes (ou muitas vezes).
Não queria que fosses apanhado no turbilhão. És especial para mim.
Friday, October 06, 2006
Princesa
Foto: MTÉs a minha alma, sempre que te olho vejo-me espelhada em ti. És o meu coração, antes de ti ele não tinha utilidade. És o contrário de solidão e não há dúvida que terminaste com a minha. És a minha confidente, a única a que confio as minhas angústias e alegrias, e tu, à tua maneira, lá me compreendes. Apetece-me pegar-te ao colo, embalar-te e afastar todo o mal de ti, porque tu a pouco a pouco foste afastando-o de mim.
E agora vejo-te deitada, frágil e sinto-me impotente. Não sei o que fazer, não sei o que pensar, fico aqui à espera de te ver correr e brincar novamente.
Gostava de acordar e ver o sol, porque hoje o céu da minha alma está encoberto.
Tuesday, October 03, 2006
Acabou-se o Verão
Sunday, September 17, 2006
...
Tudo passa com o tempo, por isso há que encarar a desilusão, a tristeza e a mágoa como memórias futuras distantes que um dia hão de teimar em sumir. E é disso que me convenço, enquanto vou escrevendo estas linhas. De momento estas "sensações" assolam-me, embora as últimas duas sejam arrastadas pela primeira.
As lágrimas caem, o coração fica pequenino, a alma pesa…mas tudo se supera.
Acabaram-se as palavras.
Monday, August 28, 2006
Sons Nocturnos
Um qualquer músico, que até à data desconheço, penso que os senhores da 2 se lembraram de nós, aqueles que começam a ver um programa após o seu início, para nos satisfazerem a curiosidade.
As adaptações que faz a fados conhecidos, como é o caso de “No Teu Poema” de Carlos do Carmo, que é senão o meu fado preferido definitivamente um deles, é no mínimo de cortar a respiração. E no meu caso estas notas cortam-na muito facilmente. É como que manteiga para os ouvidos, descansam-se no meu coração. Relembram-me a letra sem que seja preciso a mente fazer muito esforço.
“ No Teu Poema”
No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema
existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaçodo corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema
existe um cantochão alentejano,
a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro.
E para não estragar, assim vos deixo.
Com a certeza de que vou dormir melhor, que vou meter “o coração a descansar”, que esse bem precisa, e com um sorriso nos lábios.
Durmam bem
Wednesday, August 23, 2006
Boas Férias
Thursday, August 17, 2006
O Lago

Foto: MT
A calma que nos transmite o lago não é nada mais que um reflexo das mais pueris recordações que transformam o passado em presente ainda que por breves instantes. Demoram-se um bocadinho e somem-se com a mesma rapidez com que tinham aparecido.
Mas que belas lembranças essas…
Pena que não se demorem mais um bocadinho!
Saturday, August 12, 2006
Elizabeth Schwarzkopf

O mundo ficou novamente mais pobre, morreu uma das divas do canto do séc. XX, Elisabeth Schwarzkopf, sem sombra de dúvidas a minha guia no que concerne a Bach e Schubert. É com o coração um tanto ou quanto apertado que escrevo estas linhas.
Morreu um marco da História do Canto Lírico.
Fica aqui o artigo do "Jornal de Noticias" pelo qual soube da morte desta grande e polémica Senhora. Restam-nos os registros fonográficos e televisivos (como os seus famosos workshops que tantas vezes assisti na Mezzo).
Uma enorme salva de palmas para Elisabeth Schwarzkopf.
“Elisabeth Schwarzkopf, tida como umas das principais vozes do século XX, a par de Maria Callas, faleceu ontem na sua casa, em Viena, anunciou a estação pública de televisão austríaca. A soprano tinha 90 anos.Retirada dos palcos desde 1975, Schwarzkopf alimentou uma carreira recheada de êxitos, durante a qual trabalhou com maestros de renome, como Herbert von Karajan, Wilhelm Furtwaengler ou Otto Klemperer. Para a posteridade ficam as suas inigualáveis interpretações de compositores como Strauss, Mozart, Schubert e Wagner.
Nascida em 1915, em Jarocin, na Polónia, Olga Maria Elisabeth Frederike Schwarzkopf mostrou um grande fascínio pela música desde muito nova. Estudou na Berlin Hochschule für Musik e subiu pela primera vez ao palco em 1928, vestindo o papel de Eurydice numa produção de Magdeburgo.
Dez anos depois, juntou-se à Deutsche Oper de Berlín como soprano junior.
A estreia como profissional dá-se dois dias depois, com a interpretação da segunda florista no segundo acto de "Parsifal", de Wagner.
De então em diante, foi dona de um percurso ascendente, como o comprovam os seus numerosos discos. Actuou na Royal Opera House de Londres, subindo ao palco no papel de Dona Elvira, na ópera "Don Giovanni".
Foi a Condessa, em "As Bodas de Fígaro" e em "Capriccio", Marschallin em "Der Rosenkavalier" ou Alice Ford em "Falstaff".
Casada com Walter Legge, produtor inglês e "caçador de vozes" como a de Maria Callas e de Victoria de Los Angeles, a soprano de origem alemã adquiriu a nacionalidade britânica.
Com a morte do marido, Schwarzkopf retira-se em definitivo dos palcos, pois "não fazia mais do que reflectir a luz dele", disse.
Ligações perigosas
Em 1996, a incólume carreira da soprano é manchada por uma biografia de Alan Jefferson, onde o autor sugere que o sucesso da germano-inglesa se devia à sua simpatia pelo regime do III Reich. Schwarzkopf passou a integrar as fileiras do partido nazi em 1940, mas, segundo ela, por obrigação, já que o seu pai havia perdido o emprego por recusar a filiação. Em entrevista a um semanário francês, a soprano foi mais fundo, explicando em detalhe a situação. "O meu pai disse-me não tens nada a ver com política. Tens essa voz, a voz do século. Ocupa-te disso somente". Mas o "Ney York Times" havia de baptizá-la como "a diva nazi".
Schwarzkopf viveu na Suíça antes de se mudar para Viena, onde morreu.”
In “Jornal de Noticias” – 2006/08/04
Sunday, July 23, 2006
Carlos Paredes

"O Carlos Paredes é um grandalhão com aspecto simplório, mas o que esse bicho faz da guitarra é inacreditável! Nas mãos dele, este instrumento assume uma altura comparável à dos instrumentos para música de concerto. Nada de trinadinhos à maneira do Armandinho. O exemplo do pai, o Artur Paredes, foi continuado pelo filho mas de uma forma diferente: só ouvido! O fulano consegue abranger duas séries de escalas exactamente como fazem os tocadores do flamengo e os grandes concertistas de guitarra espanhola."
Zeca Afonso numa carta, dirigida aos seus pais, datada de 23 de Maio de 1964.
Fica aqui a minha singela homenagem, a este grande guitarrista,por altura do segundo aniversário da sua morte.
Tuesday, July 11, 2006
Hora da Despedida!
Foto: MTÉ confuso este sentimento de não precisar mais de ti, é um sentimento de liberdade por um lado, mas por outro dá-me a sensação que, algures no meio do processo, amadureci. A tua lembrança ficará para sempre gravada na minha memória, jamais te esquecerei. Não tenho necessidade, no entanto, de te trazer agarrado a mim, todos os dias, todas as horas, sempre presente no meu pensamento. Perguntas porquê? Pois também não sei…talvez porque o tempo realmente cure todas as feridas, mesmo as mais profundas, como a que me deixaste. Talvez porque estou preste a fechar mais um ciclo da minha vida e porque sinto que não fazes parte do que se vai iniciar, talvez porque te sinta, não te ofendas com o que te vou dizer, como que um grilhão agarrado à minha perna e que não me deixa prosseguir, ou simplesmente porque deixei de sentir que a tua presença era essencial para a minha vida. Talvez porque seja a lei natural das coisas, na realidade material há doze anos que deixaste de fazer parte da minha vida, no entanto na imaterial não dei por isso, mas faz muito pouco tempo talvez um mês se tanto, reparei hoje que não “falei” contigo nestes últimos dias ou semanas ou meses quem sabe…digo - te Adeus hoje como nunca fui capaz de o fazer nestes anos todos, digo - te Adeus não com dor mas com o carinho e saudade que te são devidos, digo - te Adeus numa sentida homenagem a um ser humano estupendo que marcou, para todo o sempre, a minha vida.
Digo-te Adeus na esperança de um dia te poder voltar a dizer Olá.
Monday, June 19, 2006
Alma Perdida
Corpo dormente
Sorriem os meus olhos
A toda a gente
Começa o silêncio…
Saem-me mudas as palavras
Falha -me a voz
Fechei-me
Não quero sentir mais nada!
Procuro palavras
Que digam
Que estou aqui
No entanto elas só dizem
O que não quis
MT
Tuesday, June 13, 2006
Ligeti

Fica aqui o meu testemunho sobre a vida de um grande compositor, um dos que mais admiro.
György Ligeti nasceu a 28 de Maio de 1923 em Dicsöszentmárton, que actualmente se chama Tirnaveni, uma pequena cidade na Transilvânia que pertence à Roménia desde 1920.
A família do compositor era judaica húngara, facto que o vai marcar durante a II Guerra Mundial.
Com a mudança de residência, para Koloszvar, abrem-se as portas da cultura para o jovem György, começa a frequentar o meio musical da cidade.
Chegada a fase de optar por uma via profissional, Ligeti, vê-se no meio de um impasse, em que seria o destino a fazer a opção por ele, seguiria Música ou Física? No entanto a presença Nazi na Roménia iria ser decisiva, apenas existia uma vaga para Física para alunos judeus e Ligeti não a conseguiu. Não obstante quem conhece a obra de Ligeti percebe perfeitamente que a paixão pela Física manteve-se ao longo da sua carreira, irá utilizar sistematicamente recursividade, fractais, a teoria do caos e outros conceitos físico-matemáticos.
Em 1944 o Nazismo volta a fazer das suas ao jovem Ligeti, e este tem de servir o exército bem pertinho do final da II Grande Guerra, enquanto a sua família era levada para os campos de concentração de Bergen-Belsen e Mauthausen, onde viriam a falecer o pai (violetista) e o irmão (violinista), embora a sua mãe consiga sobreviver em Auschwitz.
Naturalmente, estes anos marcaram imenso o compositor que sendo de trato bastante afável dizia que transportava em si “um ódio imenso”. Um sentimento que aumentará com a ditadura comunista, da década de 50, e que se vê expressa em obras como o Requiem de 1965.
Sob o governo de András Hegedüs, a Hungria passa pela "restalinização", sob o signo da colectivização compulsória e do terror da polícia secreta.
À semelhança do Nazismo, o regime comunista condena a Música Moderna, e Ligeti torna-se então persona non grata para o partido, ao apresentar uma música de Stravinsky aos seus alunos.
Ao ouvir na rádio Gesang der Jünglingen de Karlheinz Stockhausen, esta fá-lo descobrir um mundo de possibilidades musicais para além da Cortina de Ferro, ao mesmo tempo que lhe confirmava o exílio em que ia vivendo.
A frustração após o fracasso da revolução anti-soviética de 1956, que se juntou ao sufoco intelectual e pessoal faz com que Ligeti fugisse para a Áustria.
Pouco depois é convidado a trabalhar com Stockhausen, Eimert, Luciano Berio, Luigi Nono e Pierre Boulez entre muitos.
Ligeti fez parte da nata da música moderna europeia e ombreou entre os primeiros.
Segundo Augusto Valente:
“Um dos enigmas do homem György Ligeti é sua capacidade de evoluir sempre, porém mantendo-se fiel às suas paixões originais. Pois o interesse por mundos artificiais já se manifestara na infância, quando ele inventou Kylwiria, um reino imaginário, com um mapa, língua e história próprias.
Ainda adolescente, a caminho da aula de piano, Ligeti imaginava uma música estática, porém sempre em movimento. Um ideal que ele reencontrará nas obras medievais e que perseguirá de diversas formas em suas próprias composições. Certa vez, ele comparou a música a alguém que contempla o mar através de uma janela. O que o compositor faz é abrir essa janela. Quando ela é fechada, a música continua lá. Uma nobre utopia, da qual esse compositor pan-europeu consegue se aproximar como ninguém.”
Tuesday, May 30, 2006
Deixem-me
Esta altura está de facto a ser um bocado complicada, mas a vida é feita destas coisas porque senão deveria ser um desconsolo.
Confesso que com isto tudo tenho aprendido várias coisas, que provavelmente utilizarei no futuro, ou não…que me têm feito crescer é certo, mas também por esta altura já não sabiam que eu NÃO QUERO crescer?
Existem coisas que nos entristecem o fundo da alma e contra as quais não conseguimos encontrar formas de combate…eu pelo menos não consigo. E contorço-me diariamente a pensar nelas…porquê? Não sei, dizem que senão os conseguimos vencer para nos juntarmos mas eu não consigo, confesso que não consigo, é superior a mim.
Gostava de por um momento poder voar ao sabor do vento, planeando sobre o mar, para me sentir livre e poder esquecer…mas para isso resta-me o sonho, de outra forma não vou lá.
Preciso de cantar, angustia-me esta ausência de palco, preciso de deitar fora uma série de sentimentos que cá andam guardados.
Mas porque tem de ser tão complicado a vida, não há forma de simplificar?
Ficam aqui umas frases que escrevi com quinze aninhos e que demonstram o que sinto agora:
“Deixem me ser, ora bolas!
Deixem-me, deixem-me, deixem-me…
E se não me quiserem deixar,
Olhem-se ao espelho que terão muito para onde olhar”
Saturday, May 13, 2006
Desabafo
Cada vez tenho mais a certeza que uma vida é pouco, para tudo o que gostava de poder aprender, ver, sentir, ouvir e conhecer. Eu gosto tanto da vida que se pudesse seria imortal.
Estou a ter um bocado de problemas a lidar com esta história da idade, os meus amigos também não ajudam ou são mais novos, em alguns casos bem mais novos, ou então bastante mais velhos, são raros os que estão na mesma faixa etária, e esses parece-me que têm a coisa bem resolvida porque enveredaram pela opção da família, ora essa opção por agora parece-me bastante prematura.
Sou sozinha, sempre fui, nunca gostei muita da companhia. Fazem-me muita confusão as dependências. Gosto de estar assim. Não digo que não mude…o futuro a Deus pertence.
A idade trouxe-me um pouquinho mais de ponderação, mas mesmo assim continuo a ser de extremos e a acreditar em causas, não baixo os braços facilmente, mas também já não me atiro para baixo dos “bulldozers”. Estou diferente e com plena consciência disso.
O que é facto é que isso me assusta e muito, sinto-me à beira de um precipício e sei que tenho de me atirar mas o medo é muito, embora sinta o pára-quedas nas costas.
Sei que daqui a um ano tudo estará diferente, arrepio-me é por não saber como estará tudo. Sempre consegui visualizar todos os passos que dei, e isso deu-me confiança, ultimamente não consigo.
Desculpem o desabafo, mas tenho alguns problemas com a oralidade neste tipo de coisas, e existem certas alturas em que se tem de gritar e esta foi uma delas.
Obrigada pela vossa amizade e persistência em ler as minhas tolices.
Saturday, May 06, 2006
Let me not
Foto:MT"Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments; love is not love
Which alters when its alteration finds,
Or bends with the remover to remove.
O no, it is an ever-fixed mark,
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wand`ring bark,
Whose worth`s unknown,although his height be taken.
Love`s not Time`s fool, though rose lips and cheeks
Whitin his beding sickle`s compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved."

Foto:MT
"Não haja impedimentos à união
de alma fiéis; amor não é amor
se se alterar ao ver alteração
ou curvar a qualquer pôr e dispor.
Ah, não, é um padrão constante
que enfrenta as tempestades com bravura;
é estrela a qualquer barco navegante,
de ignoto poder, mas dada altura.
Do Tempo o amor não é bufão, na esfera
da foice curva em bocas,róseos rostos;
com breve hora ou semana não se altera´
e até ao julgamento fica a postos.
E se isto é erro e em mim a prova tem,
nunca escrevi e nunca amou ninguém."
Wednesday, April 26, 2006
1º Aniversário de Entre Mares e Planuras
Beijinhos a todos, obrigada pela visita e voltem sempre
Saturday, April 22, 2006
Porto Campeão Nacional 2005/2006
Thursday, April 13, 2006
Os primeiros vinte anos do século XX
Movimento Académico em Lisboa (1907)O tema do mês de Abril vai ser: Os primeiros vinte anos do séc. XX.
Porquê? Porque eu gosto da época, porque me fascina, porque quero conhecer mais e a vários níveis.
Não sei por onde vou abordar, sei que serão textos com este âmbito.
Espero que se divirtam. Já sabem estou completamente receptiva às vossas propostas.
Para iniciá-lo da melhor forma deixo- vos com um poema de Teixeira de Pascoaes.
Escritor:
“Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos (1877-1952), que nas letras assinou com o nome do lugar que povoaria de sombras toda a sua obra, nasceu em S. João de Gatão, estudou no Liceu de Amarante e na Universidade de Coimbra (1869-1901) de onde saiu "bacharel à força" apto às lides forenses. Principal mentor do movimento da Renascença Portuguesa (1912), cuja voz (A Águia) dirigiu até 1916 - apostolando a filosofia da saudade, entre a lembrança e o desejo de um "regresso ao paraíso" que só ele logrou pressentir - homiziou-se, depois, à vista do Marão, onde incessantemente revisitou e deu à luz uma extensa obra que, ainda hoje, apenas se insinua por detrás do seu "verbo escuro".”
Eu tive a oportunidade de conhecer mais de perto Teixeira de Pascoaes através de alguns dos seus familiares ainda vivos, e devo-vos dizer que me deparei com uma pessoa com um sentido de humor apuradíssimo, algum mau feitio e um vicio do tabaco que o conduziria à morte, muito distante do retrato que lhe pintava, enquanto lia o seu trabalho. Espero que gostem.
CONFLITO
A vida é não e sim... É realidade
Que num fumo ilusório se dissolve
E uma ilusão que se condensa em mármore...
E bato com a fronte em névoas que aparecem
Como brutos penedos, e em penedos
Que, diante de mim, se esvaem como névoas.
Falo às sombras nocturnas. Interrogo
As pobrezinhas cousas da Natura,
Mortas recordações da Luz divina...
Quero entender os íntimos murmúrios
Do zéfiro da tarde, e os trágicos remorsos
Que o vento grita às árvores contorcidas,
Num desespero doido!
Quero atingir as formas invisíveis!
Sentir, cheio de medo e num encantamento,
O contacto das almas que me cercam
E desceram, cantando, a Luminosa Via...
Quero sentir, nas mãos, a pequenina estrela
Que se ri para mim, do fundo de uma lágrima!
Quero roubar ao sol um fio de oiro, e à lua
Um cabelo de prata,
E uma negra madeixa à noite maternal
Que já me trouxe ao colo,
E me deu de mamar o leito que alimenta
As sombras e os espectros, quando nascem.
Exalto-me de amor e desfaleço!
Caio por terra e fico adormecido...
Sonho que estou cantando e canto nos meus sonhos
E imagino cantar, no mundo, à luz do sol...
E no meu canto vou levado, como as nuvens
Nos ais que o vento dá...
E vou na minha voz que se comove
E comovida alcança as últimas estrelas,
Donde já se descobre o riso madrugante
Da Luz original que mana duma fonte
Que só os poetas ouvem murmurar.
Lá vou na minha voz, a voz dum sonho etéreo,
Desenhando no lívido silêncio
Não sei que estranha e lívida figura,
Na qual todo o meu ser, de longe, me aparece
E, olhando-me, não sabe quem eu sou.
Tudo o que em mim é clara realidade,
Desconhece o meu ser lendário; não entende
O sonho que me fala
E me deixa hesitante, a procurar-me
Entre uma aparição em que padeço e vivo
E uma aparência vaga em que me sinto morto.
Eu ouço-me falar e fico atento a ouvir...
Exclamo: - sim! Logo respondo: - não!
Sou e não sou! Aflito, me debato
Nesta incerteza! De repente, existo!
De súbito, faleço, como o arcanjo
Que, nas nuvens oculto, apenas mostra
Do seu perfil um lívido sorriso
E do seu corpo as asas de relâmpago.
Sou e não sou. Duvido e creio. Vivo
E jazo, dentro de mim,
Neste velhinho túmulo onde a sombra
Se foi acumulando e empedernindo
E modelando no meu próprio busto.
Repouso e a noite estende-me os seus braços.
Acordo e tenho medo! Vejo, em tudo,
O espectro do meu sonho, imagens mortas,
Almas de Deus que a dor petrificou,
Árvores que foram ninfas e uma terra
Toda cinza de extintas labaredas.
Sou e não sou. Duvido e creio. Rezo,
A voz elevo em orações de lágrimas,
E caio num silêncio que separa
Dois gritos, dois relâmpagos de dor!
Creio e descreio. Nego Deus e encontro-me
Abandonado, como tu, Lucrécio,
Num deserto infinito onde as estrelas
Brilham, de noite, como areias de oiro.
Abala-me um terrível desespero!
Sou fogo em que me queimo! Não sou mais
Que um fantasma perdido e condenado
A errar, na solidão, perpetuamente.
Chamo em voz alta por alguém. Apenas
As cousas me contemplam, como estátuas
Da morte e do silêncio.
Mas por divina graça misteriosa,
Julgo que nelas transparece, às vezes,
Não sei que imagem sobrenatural...
Inefável encanto a ganhar vulto
De etérea aparição...
E como as nuvens choro, e como as nuvens
Dir-se-á que me dissipo e me converto
Em transparência azul, onde se vê surgir
Meu íntimo perfil que se ilumina,
Tão alegre e tão vivo que parece
Todo esculpido em oiro amanhecente.
Sinto-me deslumbrado e creio em ti, Senhor.
Ó alma, creio em ti, como nas Cinco Chagas!
Creio na vida eterna! Ajoelho e rezo,
Como rezava outrora, ao pé de minha mãe,
Quando as Ave-Marias do crepúsculo
Derramam, pelo ar,em lágrimas de bronze,
Uma saudade que anoitece o mundo.
Creio na alma eterna e creio em ti, Senhor!
Rezo na minha igreja, em frente dum altar,
Onde o Menino tem um cordeirinho ao colo,
E nos lábios em flor um místico sorriso,
E debaixo dos pés um astro luminoso,
Varrendo para longe as sombras que escurecem
As amplidões infindas...
Eu creio em ti, Menino Deus! Eu creio
Na tua infância eterna! A divindade
É infância e Primavera.
Creio num Deus que foi menino e teve mãe
Que num berço o embalou e acalentou nos braços...
E foi preso, julgado, escarnecido
E condenado à morte.
Eu creio em ti, meu Deus,
Ou deitado num berço pequenino
Ou pregado num trágico madeiro
Que na terra criou fantásticas raízes
E cobriu de flores...
Mas, súbito, entristeço, empalideço.
De novo, o meu espírito desvaira.
Um mau demónio me persegue. Vejo-o...
E em meus olhos se faz a noite escura,
Onde os astros se apagam, como as lágrimas
De madrugada, ao vento do Marão.
Sou e não sou. Duvido e creio. Grito,
Desenho a fogo o meu perfil nas trevas.
Rezo, esboçando a minha imagem triste
Na penumbra doirada que se orvalha
De pérolas acesas.
Rezo, blasfemo e grito. Sou demónio,
Sou anjo. Vou ardendo em labaredas,
E vou deixando, atrás de mim, um rasto
De cinza e de silêncio.
Monday, April 10, 2006
E agora?
Foto : Alberto M.www.albertomonteiro.com
Agora que o Entre Mares e Planuras encerrou o seu período dedicado a grandes mulheres, confesso que me assola um vazio criativo, espero que possam contribuir com ideias, pois a mim agradou-me particularmente esta maneira de funcionar por temas.
Espero as vossas contribuições, espero poder fazer algo diferente durante este mês de Abril em que o Entre Mares e Planuras faz um ano.










