Wednesday, March 15, 2006

Brites de Almeida - A Padeira de Aljubarrota


“A Padeira de Aljubarrota”

“Brites de Almeida não foi uma mulher vulgar. Era feia, grande, com os cabelos crespos e muito, muito forte. Não se enquadrava nos típicos padrões femininos e tinha um comportamento masculino, o que se reflectiu nas profissões que teve ao longo da vida. Nasceu em Faro, de família pobre e humilde e em criança preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de donde estes tiravam o sustento diário. Aos vinte anos ficou órfã, vendeu os poucos bens que herdou e meteu-se ao caminho, andando de lugar em lugar e convivendo com todo o tipo de gente. Aprendeu a manejar a espada e o pau com tal mestria que depressa alcançou fama de valente. Apesar da sua temível reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e lhe propôs casamento. Ela, que não estava interessada em perder a sua independência, impôs-lhe a condição de lutarem antes do casamento. Como resultado, o soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo da justiça. Mas o destino quis que o barco fosse capturado por piratas mouros e Brites foi vendida como escrava. Com a ajuda de dois outros escravos portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, veio dar à praia da Ericeira. Procurada ainda pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. Um dia, cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e casou-se com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela.
O dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu com os primeiros clamores da batalha de Aljubarrota e Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza. Pegou na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano. Chegando a casa cansada mas satisfeita, despertou-a um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos. Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali. Tomada de zelo nacionalista, liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que ainda se escondiam pelas redondezas. Conta a história que Brites acabou os seus dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal. A pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto.”
In “Lendas de Portugal”- Lendas do Distrito de Leiria

Thursday, March 09, 2006

Maria de Magdala


A primeira mulher a ser homenageada, neste mês dedicado a grandes mulheres é Maria de Magdala, ou Maria Madalena como é mais conhecida, é a primeira porque dois mil anos depois continua a ser despontar polémicas e só uma grande mulher consegue este feito.
É também a primeira por ter sido a mais injustiçada, é a primeira porque é um simbolo do feminino, é a primeira porque foi a escolhida por Cristo e lá diz o ditado : "Por trás de um grande homem está uma grande mulher", existem vários motivos para ser a primeira, nem todos conseguem ser transcritos para texto.
"Maria Madalena, que significa, provavelmente, "Maria de Magdala," uma localidade na costa ocidental do Lago de Tiberíades, é referida nos evangelhos (canónicos e apócrifos) como sendo uma seguidora de Jesus Cristo. Nada se sabe sobre ela, para além do que aparece nestes evangelhos. É festejada no dia 22 de Julho.

A tradição, sem qualquer fundamento bíblico, considera-a, muitas vezes, como a prostituta que, vivendo à mercê dos homens, pede perdão pelos seus pecados a Cristo. Este episódio é frequentemente identificado com o excerto do Evangelho de Lucas 7:36-50, ainda que aí não seja referido o nome da mulher em causa.

Alguns escritores contemporâneos, principalmente os autores do livro de 1982, que em Portugal se intitulou O Sangue de Cristo e o Santo Graal,(Holy Blood, Holy Grail) e Dan Brown no romance O Código Da Vinci (2003), defendem que:
Maria Madalena era, de facto, mulher de Jesus Cristo, e que esse facto foi escondido por revisionistas cristãos paulinos que teriam alterado os evangelhos.
Estes escritores basearam-se nos evangelhos, canónicos e apócrifos, além de escrituras gnósticas para fundamentarem as suas conclusões. Ainda que o Evangelho de Filipe designe Maria Madalena como "companheira de Cristo", o que parece indicar que fosse especialmente próxima de Jesus, não há nenhum documento antigo que refira abertamente que ela fosse sua esposa.
Um argumento a favor desta especulação refere-se ao facto de que o celibato era muito raro entre os judeus homens, da época de Jesus, sendo considerado, mesmo, como uma transgressão ao primeiro mitzvah (mandamento divino)— "Sede fecundos e multiplicai-vos". Isso seria considerado impensável para um adulto, ainda mais quando viajava pela Judeia pregando como rabi.
Pode-se, contudo, usar o contra-argumento de que haveria uma grande diversidade de correntes religiosas dentro do judaísmo, além de que o papel de rabi ainda não estava bem definido. João Baptista e os essénios eram celibatários. Paulo de Tarso era-o também, quando ainda se julgava que o cristianismo deveria ser uma religião destinada apenas ao povo judeu. Na verdade, só depois da destruição do Segundo Templo no ano 70 d. C. que o judaísmo rabínico se tornou a corrente dominante entre as comunidades judaicas.
Maria de Magdala é, sem dúvida, uma das presenças femininas de maior destaque nos evangelhos. A sua presença na crucificação de Jesus, ainda que de modo algum conclusiva, é, contudo, consonante com o papel de esposa em sofrimento e viúva desconsolada, ainda que fosse de esperar que Jesus a encomendasse a alguém, como fez a sua mãe (contra-argumento que poderá ser posto em causa se fizermos outra interpretação das palavras de Cristo durante a última ceia). Dada a falta de provas escritas, dessa época, ainda que muita gente goste de considerar a hipótese ou a defenda acerrimamente, a maior parte dos académicos não a leva a sério.
Tornou-se célebre, com a divulgação do livro já referido de Dan Brown, o argumento de que n'A Última Ceia, de Leonardo da Vinci, a personagem que está à sua direita, com traços femininos, seja Maria Madalena e não João, como outros defendem. O facto de Jesus não envergar nenhum cálice (o Graal) poderá levar a interpretações que muitos consideram abusivas, como acreditar que Maria Madalena é, de facto, o "cálice sagrado" onde repousa o "sangue de Cristo" ou seja, que ela estaria, na altura, grávida de Jesus."

in "Wikipédia"

Digam o que quiserem o que é facto é que Cristo quando reencarnou a primeira pessoa a quem apareceu foi a Maria de Magdala, não foi à mãe nem tão pouco aos Apostolos, e isso no meu entender tem um grande significado.
Pena que o rumo da história tenha sido alterado, porque a nossa sociedade hoje seria bem diferente, muito melhor no meu entender.

Wednesday, March 01, 2006

O começo de uma nova temática

Foto: Alberto M.

Como o Dia Internacional da Mulher é comemorado dia 8 de Março, o Entre Mares e Planuras vai dedicar todo o mês à mulher, nomeadamente a mulheres que se distinguiram pelo seu carácter ou pelo seu pensamento inovador .
Aproveitem este espaço para homenagear as mulheres, que no vosso entender sejam dignas dessa homenagem, sejam elas, a vossa vizinha do lado, a senhora que vos lava a escada, a Margaret Thatcher ou a Madre Teresa de Calcutá...homenageiem mulheres que vos inspiram.
Ou então, enviem um email para entremareseplanuras@gmail.com, com o nome ou história da/das mulher/mulheres que desejam ver homenageadas.

Thursday, February 09, 2006

Soror Mariana

Foto: Mariana


Como pode um grande amor, moldar toda uma vida de sofrimento e dedicação ao mesmo, deixando até de viver, não no sentido biológico mas emocional?
Acabei de ler o livro “Mariana” de Katherine Vaz, baseado em factos verídicos da vida da Freira Mariana Alcoforado, de Beja, e nas cartas que esta escreveu ao seu apaixonado. Mariana viveu no século XVII, e iniciou a sua vida simultaneamente com a guerra da Independência de Portugal em relação a Espanha, mais não digo, aconselho-o a todos.
Confesso que me emocionou, chorei muitíssimo à medida que o número de páginas ia avançando, o espírito de Mariana era forte, rebelde, orgulhoso e decisivo, gostaria de conhecer mais sobre a sua vida.
As suas cartas traduzidas para várias línguas inspiraram escritores e artistas como Stendhal, Rodin, José Maria Rilke ou até Jean-Jacques Rosseau.
Quanto a mim fiquei bastante presa à história de Soror Mariana e desejo voltar a ler, mais e mais sobre este assunto. Um amor que não fica aquém do de Pedro e Inês.
Portugal está de facto recheado de grandes histórias de amor, se conhecerem mais… digam, vamos tornar este blog um espaço de divulgação literária, deixem as vossas sugestões, revelem os livros que vos inspiram para que todos possamos partilhar essas mesmas inspirações.

Sunday, February 05, 2006

Um Pequeno Aparte!!!

Foto : Luís Bomba



Normalmente este tipo de assunto não faz parte do leque por mim abordado neste blog, mas desta vez achei por bem abordar dois assuntos um positivo e outro negativo, o positivo é a declaração por parte das ministras da educação e cultura dos Ensinos Artísticos no Básico, felicito esta atitude e espero que seja realmente uma medida para avançar, o segundo a falta de tolerância que está a ocorrer, de parte a parte, por causa da história das caricaturas de Maomé, eu não concordo com a publicação dos cartoons, se por um lado temos a liberdade de expressão, por outro essa liberdade deixa de o ser quando ataca a liberdade dos outros, como é este caso, podemos brincar com muitas coisas desde que não ofenda as outras pessoas, embora a onda de violência que levantou acabou por aniquilar qualquer razão que a opinião pública lhes podia dar.
E perguntam vocês porque misturo estes dois assuntos, à partida sem ligação nenhuma, no mesmo post? A resposta está no post por mim colocado no dia 25 de Abril de 2005, dêem uma olhada e percebam porque eu acredito que estão os dois interligados.

Sunday, January 29, 2006

O manto branco que cobriu a Figueira



Quando acordei, hoje de manhã, olhei pela janela e nem queria acreditar, estava a nevar na Figueira da Foz.
A primeira e última vez que presenciei tal acontecimento andava ainda na quarta classe. Por isso a relevância este post.
Ficam aqui então algumas fotografias de como fica a cidade mais bonita de Portugal coberta de branco ( estas fotos pertencem ao portal www.figueira.net).
Espero que apreciem :



















Friday, January 27, 2006

Os 250 anos de Wolfgang Amadeus Mozart


Bem, não podia deixar de comemorar o 250º aniversário de Mozart, embora não seja grande fã de toda a sua obra, existem algumas do meu agrado principalmente no que concerne à obra operática.
Como 250 anos, é muito ano e principalmente muito tempo para permanecer presente no quotidiano de muita gente, é um feito apenas alcançado por alguns.
Aqui fica a minha singela homenagem ao menino-prodígio da Música Clássica (embora não seja o único como muitos pensam, não é Chopin?).
Para não vos massar com vida e obra deixo-vos antes uns links de sites que já proporcionam essa informação:

www.infonet.com.br/mozart/

The Mozart Project

w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/mozart.html

Parabéns ao menino Mozart, porque embora faça 250 anos, hoje é um bebé.
Comemorem o seu aniversário ouvindo muita música!
E se tiverem crianças pequenas ponham-nas a ouvir Mozart porque está provado que faz bem para o desenvolvimento intelectual dos mais pequenos.
E aproveitem para preparar o ouvido, porque vem ai um ano repletinho de Mozart. Daqui a um ano já toda a gente conhece toda a vida e obra dele, porque isto quando concerne a Homenagens é até fartar.

Monday, January 23, 2006

Devaneios Literários



Naquele de Inverno, bem gelado, sentado junto ao lago que o viu crescer, pensava em como tinha chegado àquele estado, parecia que enfrentava um ponto sem retorno na sua vida, queria voltar a ter a confiança no que fazia e do que sentia.
Tinha chegado aquele dia em que não queria ir mais trabalhar. O que antigamente o animava, agora aborrecia-o de morte, não lhe apetecia levantar da cama para ir trabalhar e tinha chegado à conclusão que mudar de emprego tinha deixado de ser uma hipótese para passar a ser uma prioridade.
Mas fazer o quê, toda a sua vida pensara em ser publicitário, e agora a lufa lufa dos deadlines e das ideias criativas esgotara-o, ao ponto de ter deixado de gostar do que fazia.
O que poderia fazer então? Não conseguia encontrar qualquer resposta.
Não conseguia encontrar a Catarina, com certeza ela iria querer resposta para o que o intrigava, e neste momento não conseguia falar sobre este assunto.

A Catarina foi sempre uma mulher bastante decidida e não sei se iria ver com bons olhos toda esta minha indecisão, por outro lado se lhe contasse podia ser que ela me ajudasse… mas o que lhe digo? Que estou farto…quero mudar…mas para onde, se nem o que quero fazer lhe posso dizer?
Podia tirar umas férias até esclarecer este assunto, há dois anos que tenho as férias em atraso, posso aproveitar agora, quem sabe quando voltar venho mais disposto e até apreciar os desafios que me forem propostos?
Bem, as férias seriam uma boa solução, mas teria também de pensar na Rita e no Pedro afinal há dois anos que não passo umas férias com os miúdos.
Quando chegou a casa o almoço já estava quase pronto, tentou esquecer os seus problemas enquanto punha a mesa.
- Então que tal estava o lago? – Perguntou-lhe a mulher.
- Estava bastante calmo, nem sequer um pescador ou um barco!
- Deve ser por ser dia de semana – retorquiu ela.
-É capaz. Olha estava aqui a pensar, quando é que os miúdos têm férias?
- Na Páscoa, porquê?
- Estava a pensar em tirar umas férias e tu quando tens?
- Estava a pensar em tirar uns dias no Verão, mas se tu tirares agora, posso ver se consigo uns diazitos na mesma altura.
- Seria perfeito.
- Mas afinal porque queres tirar férias, logo tu e nesta altura do ano? Não é que não te faça falta, muito pelo contrário…os miúdos iam adorar….
- Estou a precisar de um tempo, as coisas no trabalho não andam grande coisa, não ando a gostar do que faço e penso que umas férias me fariam bem, pode ser cansaço e saturação.
- Se calhar…ouve lá…
-Diz…
- Não, se calhar é asneira…
-Não, diz.
- Pode ser uma tontice, mas não te sentirias mais motivado se criasses uma agência tua? Há tanto tempo que trabalhas ali sem perspectivas de promoção, porque não teres o teu próprio projecto?
- É algo a pensar, se calhar tens razão, se calhar é isso que me está a provocar esta angústia toda. E os miúdos?
- Que têm?
- Começar agora um projecto e se corre mal? Eles estão ainda em idade escolar… é arriscado…
- Pode ser mas o meu salário é estável e dá para qualquer emergência, porque não experimentas? Tens os contactos necessários para uma boa carteira de clientes e ainda podes ir buscar os melhores profissionais para trabalhar contigo.
- Tens razão, vou começar a pensar a sério nisso. De qualquer forma podíamos tirar uns dias de férias o que achas?
- Sim, podemos.
Esta Catarina, eu cheio de problemas, sem saber como abordar o assunto, sem saber qual a reacção que iria ter, e ela não só me apoia como me instiga a começar de novo.
Bem, agora resta-me por as mãos à obra e começar a delinear toda a estratégia de construção de um novo sonho, parece que rejuvenesci uns 15 anos.
Por vezes os nossos maiores receios tornam-se os nossos propulsores, mesmo quando pensamos que eles são devidamente fundados.

Wednesday, January 18, 2006

A Praia


As ondas batem levemente na praia, levanto-me e dou uns passos mesmo juntinho à linha de água para depois vê-la lentamente encher as minhas pisadas.
O cheiro da maresia em conjunto com o som das gaivotas, lembram-me tempos passados, épocas cheias de alegria e contentamento.
Começo a correr, corro sem rumo, corro junto à água, que me salpica as calças de ganga, não sei para onde vou, mas neste momento não me interessa.
Lembrei-me do teu olhar, lembrei-me da tua voz, já não o vejo ou a ouço há muitos anos, mas não sei porquê, regressaram-me agora à memória, talvez porque fosse esta a nossa praia, muitos anos antes de ter parques infantis ou até mesmo campos de jogos, tu terias gostado, seguramente, da rampa para os skates.
O meu coração bate sobressaltado pela tua memória, apetecia-me falar contigo, mas sei que isso é impossível.
Demorei alguns anos até conseguir suportar a tua ausência, mas agora já não dói tanto, consigo conviver amigavelmente com a tua memória, sem me sentir magoada por ela, ou sem que a saudade seja avassaladora e me derrube.
Faz doze anos daqui a uns meses que não te vejo, no entanto continua a parecer ontem.
Olhando em volta, pergunto-me se irias reconhecer a nossa praia…incrivelmente está mais comprida, mas também está mais alegre, mais cuidada, olhando para trás, e comparando, naquela altura parecia abandonada.
A praia, as conchas, as algas, o vento, o som do mar, tudo me relembra a tua imagem como se estivesse elevada sobre o horizonte… como seria tudo se ainda pudesses estar aqui?
Até amanhã, hoje vou sonhar melhor!

A Música de Nuno Malo

A Música, que estão a ouvir, é do compositor português Nuno Malo e poderão encontrá-la em www.nunomalo.com.
Dêem uma espreitadela, eu adoro o trabalho dele e recomendo-o a toda a gente.
E é sempre agradável saber que, um compositor português, tão novo como o Nuno, tem já o extenso curriculum que ele tem. E assim sendo, quero ver como o trabalho dele vai evoluir com os anos.

Monday, January 09, 2006

A Bela Catalunha





Catalunha Triunfante!
Tornará a ser rica e plena!





A todos aqueles que fizeram da minha estadia na Catalunya memorável, muito obrigada!
À Noemi, obrigada por me teres mostrado o teu país, as suas tradições, a cultura, a música, a gastronomia, mas sobretudo pela amizade. O meu obrigada também à tua familia.
A Catalunha ficou para sempre marcada no meu coração, espero voltar brevemente, desta vez a falar já um pouquinho o Catalão!
Aos portugueses recomendo uma visita à Catalunha, em todo o seu esplendor, aproveitem Barcelona, mas conheçam a beleza do Interior, eu fiquei fã.

Thursday, December 22, 2005

Um presente de Natal



Deixo-vos aqui uma árvore de Natal de sonho, a do Rockefeller Center. em Nova York, gostava de vos deixar uma portuguesa,mas infelizmente só temos uma, grande árvore de Natal, como é de ferro ... não gosto.


" Sarasate"*

Há uma nota que vibra e voa para longe
E uma outra - a última -flui
No seu encalço - e estremece - escapa-se.
Oh, se eu pudesse chorar,
Como uma criança pelo seu brinquedo.

Ainda sentado - o júbilo torna-se estridor -
Os meus sentidos demoram-se a beber
O ar de um mundo ainda longínquo,
Um mundo que a minha inocente infância
Logo abraça com saudade.

O ar de um mundo invulgar,
Que noites a fio, em ímpeto ardente
Me mantém febril e preso no seu encanto -
A terra dos apátridas,
Este reino da arte, vermelho como o Sol

Herman Hesse
(6 de Dezembro de 1897)

* Pablo Martín Melitón de Sarasate y Navascuéz , violinista e compositor, nasceu em Pamplona a
10 de Março de 1844 morre em Biarritz em 1908

Wednesday, December 21, 2005

O Último Dia de Outono

Foto: Ilidio Pires


Deste-me a mão, para me ajudar a subir aquela rocha mais íngreme, mas valeu a pena a paisagem é de outro mundo, o Douro no Outono é algo digno de um filme.
Deixei-me ficar, juntei o meu corpo com o teu e fiquei ali, quieta, a contemplar a paisagem, em silêncio, escutando somente o ruído do rio, lá em baixo, e som do vento por entre as parreiras.
Pensava, em todo o caminho que percorrermos, no curto espaço de um mês, nunca pensei estar aqui, quando nos esbarramos literalmente na porta da livraria, trocámos umas pastas sem querer e tivemos que voltar a cruzar-nos para desfazer o erro, se não soubesse mais que isso, pensava que estávamos no centro de um enredo cinematográfico.
Convidaste-me para ir tomar café, e eu respondi-te que não bebia café, continuaste, sempre no bom caminho, e perguntaste-me se queria ir beber um chocolate quente então…e eu respondi-te que não bebia chocolate quente…e tu perguntas-te me, com razão, se eu ingeria algum tipo de bebidas, ao que eu te respondi secamente, um chá pode ser.
E foi a partir desse chá que tudo começou, depois fomos jantar, seguiu-se o teatro, o cinema e, de repente, a minha vida começou a habituar-se à tua companhia.
Começaram os longos passeios no parque, as confidências literárias, as gargalhadas junto ao mar, os passeios de bicicleta, e num espaço de duas semanas a minha vida tornou-se completamente siamesa da tua, o que me assustou, na realidade ainda me assusta.
Não gosto de companhia, nunca gostei, sempre fui e quis ser orgulhosamente só, demorei a compreender o que se estava a passar comigo. Depois percebi, a tua solidão encaixava-se completamente na minha solidão, eu na realidade continuava a mesma, apenas compartilhava um mesmo estado e senti-me bem com isso.
E aqui estou eu, aconchegada pelos teus braços a observar um rio que corre sempre na mesma direcção, sem se perguntar porquê, e se calhar nós devíamos fazer o mesmo, afinal de contas, mais cedo ou mais tarde desagua mos todos no mar.

Tuesday, December 20, 2005

Um pequeno esboço da Cultura Maori



Tive o meu primeiro contacto, com a cultura Maori, em Agosto de 2000, através de um belíssimo cd de Kiri Te Kanawa chamado “Maori Songs”, apaixonei-me pela sonoridade produzida por este povo, desde então tenho dado alguma atenção a esta cultura posicionada nos nossos antípodas e entre nós tão desconhecida, excepção feita aos amantes de Rugby que têm a referência do Haka (canto de guerra) cantado no início de cada jogo da selecção neo-zelandesa.

Deixo-vos, então aqui, alguns traços da cultura Maori que espero que vos encante tanto como a mim.


Com origem na Mongólia, em 1200 A.C. a população da Nova Guiné começou a sua peregrinação pelas ilhas do Pacífico dando origem a dois povos os Maori e os Moriori.
Os ascendentes dos Maori, sediaram-se na “Aotearoa” – Terra da Grande Nuvem Branca (Nova Zelândia), o que lhes permitiu manter e aumentar a divisão do trabalho, criando uma casta guerreira que se envolvia regularmente em guerras inter-tribais.

Em 1835, novecentos Maori, rumaram para as ilhas Chatam, a 800 km de “Aotearoa”, ilhas então habitadas pelos Moriori, que após alguma resistência foram subjugados e escravizados pelos primeiros.
Mas os Maori espalharam-se por toda a Polinésia, existem inclusivamente semelhanças nos hábitos, costumes e alguns vocábulos do Hawaii às Marquesas, Polinésia Francesa e Ilhas Cook, fruto dessa migração.

Os primeiros europeus chegam a ilha em 1820, mas só em 1840, após diversas lutas e guerras entre brancos e Maori, foi assinado o Tratado de Waitangi, celebrando a paz entre os dois povos. Após o tratado o povo Maori, ficou restrito a áreas isoladas por sua própria vontade, facto que apenas muda já perto do início do século XX.


Maoritanga - Cultura Maori

Existem várias lendas e histórias, relativas às tradições do povo Maori, como por exemplo a da criação do mundo: Panginui, o pai céu, e Papawanuku, a mãe terra, tiveram um filho Tane, criador de todas as criaturas. Outra lenda diz que os Maori são descendentes de Deus e os seus ancestrais partiram de Hawaikii em canoas e cruzaram o Oceano Pacifico – Te Mona Nui a Kiwa.

A Arte Maori está intimamente associada à paisagem e ambiente de “Aotearoa”

A dança tem um papel fulcral para o jovem guerreiro, visto que é um ponto de partida para a luta contra inimigos imaginários. Trata-se de uma dança, onde são preponderantes factores como a elasticidade e o manejamento de clavas, acrescidas da tradicional careta, em que expõem toda a língua, que tem como intenção intimidar o inimigo.

A Escultura Maori pode ser efectuada em Madeira, Osso e “Pounamu”, conta a história da tribo e dos seus antepassados mitológicos, mas que também tem uma utilidade prática como fazer waka (canoas), armas e instrumentos musicais.

A Escultura em Osso (tradicionalmente em Osso de Baleia, embora hoje em dia seja mais comum a utilização do Osso de Vaca) é outra forma importante da Arte Maori, utilizada como adorno, toma várias formas com diferentes significados:

- Hei Matau (anzol) – esta forma representa o mito de Maui. Maui pescava na Ilha do Norte usando um anzol feito com o queixo da sua avó, este anzol representa, desde então, o poder e influência dos antepassados. O Hei Matau é considerado um talismã que dá boa sorte e protecção durante as viagens.

- Koru – o Koru significa vida nova e regeneração, mas também eternidade e harmonia entre os povos.

- Manaia – este tipo de escultura representa os seres míticos com o mesmo nome, estes seres tem corpo humano e cabeça de pássaro. São considerados guardiões contra o mal.

- Tiki – baseados em figuras mitológicas.

A Escultura Pounamu (em Jade ou Pedra Verde) é extremamente difícil de esculpir, tendo por isso enorme valor entre os Maori, as suas formas mais comuns são jóias e armas.
As esculturas Pounamu herdaram as suas próprias histórias ao longo do tempo, e são conhecidas como Taonga (objectos acarinhados).




A diversidade cultural Maori encontra-se bastante presente na sociedade Neo-Zelandesa, actualmente, ao contrário do que acontece com os aborígenes na Austrália
Esta cultura tem um peso em quase todos os quadrantes de actividade, mas a maior evolução foi no sector da educação com um aumento bastante significativo de população Maori que frequenta a Universidade.
A Língua Maori, apesar de ser só usada em cerimónias tribais, é uma língua oficial juntamente com o Inglês.


Fica aqui uma pequena introdução a cultura Maori, num próximo post tentarei fazer uma aproximação a música Maori. Espero que seja um tema do vosso agrado.

Friday, December 16, 2005

Figueira da Foz por Cunha Rocha




Fica aqui o retrato da minha cidade preferida, pelo pincel de um pintor cujo trabalho adoro, Cunha Rocha.

Vinicius Moraes

O meu poema preferido de Vinicius de Moraes


Soneto do amor total


"Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.


E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude. "



Confesso que não entendo o que leva o cérebro humano a tal entrega, as palavras são muito fortes e sentidas, adoro este poema, mas esta força de sentimento ultrapassa-me.

Wednesday, December 07, 2005

Compositor Português ganha prémio Internacional de Composição

O compositor português, João Pedro Oliveira, está de parabéns ao ter vencido ,o Concurso Internacional de Música Nova de Praga, na categoria de obras para instrumento e sons electroacústicos, com “A Escada Estreita” para Flauta e Sons Electroacústicos escrita em 1999.
O compositor, ganhou também, o segundo prémio com “Time Spell” no Concurso Internacional de Música Electroacústica de São Paulo. A obra, escrita em 2003, para clarinete e sons acústicos em seis canais, irá ser editada em CD como prémio resultante do Concurso.
Igualmente de parabéns está a eslovaca Petra Bachratá, de momento a residir em Portugal, pelo primeiro prémio no Concurso Internacional de Praga, com “Nunataq”, na categoria de electroacústica pura, esta obra faz parte do projecto de Doutoramento da eslovaca na Universidade de Aveiro.

Thursday, November 17, 2005

Casa do Passal - Aristides Sousa Mendes

Através de um comentário ao post anterior, fui tentar descobrir a realidade da Casa do Passal e deparei- me com um triste cenário, mais um marco da nossa história está prestes a desaparecer diante dos nossos olhos, sem que ninguém faça nada para impedir.
Não vos vou relatar os factos da vida de Aristites Sousa Mendes, até porque, descobri que já existem diversos "blog" a abordar esse assunto.
Mas pergunto-me se em vez de bustos, concertos de homenagem, nomes de rua,etc, se o melhor tributo a este Homem não seria restaurar a casa que ele construiu para albergar a sua enorme familia ( teve 14 filhos) e familias inteiras de Judeus, cuja vida ajudou a salvar.
Não deveria aquela bonita casa ser considerado um monumento do Anti-Holocausto, ou até mesmo Património Histórico da Humanidade?
Aristide Sousa Mendes morreu na miséria apesar da sua infinita generosidade, não seria altura de alguém a retribuir preservando a sua memória, ou até mesmo usando a Casa do Passal como um Museu, que contasse esta magnifica história de coragem às futuras gerações.
Com tantos Batmans e Superhomens a povoar o imaginário infantil seria bem melhor que os substituissem por herois de verdade.

Sites e Blogs relacionados:

www.ipv.pt/millenium25/26_16htm
www.vidaslusofonas.pt/sousa_mendes.htm
www.sopadenabos.blogspot.com
www.sousamendes.blogspot.com
www.antoniopovinho.blogspot.com/2005/10/cabanas-de-viriato-e-casa-do-passal.html


MT

Tuesday, November 15, 2005

Uma Frase Bonita

Peço desde já desculpas, a Sérgio Azevedo, mas vou utilizar uma frase que vi no seu blog, no artigo:""A música em tempos de cólera" - discurso feito no concerto em homenagem a Aristides de Sousa Mendes "

"Nenhum homem é uma ILHA isolada
cada homem é uma partícula do CONTINENTE,
uma parte da TERRA se um TORRÃO é arrastado para o MAR,
a EUROPA fica diminuída,
como se fosse um PROMONTÓRIO,
como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA,
a MORTE de qualquer homem diminui-me,
porque sou parte do GÉNERO HUMANO.
E por isso não perguntes porquem os SINOS dobram
eles dobram por ti."

John Donne


Depois disto, nada mais a para dizer, as próprias palavras sentem-se envergonhadas.

MT

Wednesday, November 09, 2005

Cultura Galaico-Portuguesa III

Eventos Comuns


Primavera

A Primavera é a estación do ano en que a Natureza esperta e na que se inician
todos os procesos vitais.

O carnaval é un elemento esencial do patrimonio
inmaterial, con características comúns que o tornan
único e singular no ámbito etnográfico.

Os Maios reflicten a importancia da botánica
popular, e levan asociados importantes elementos
inmateriais como coplas e cantigas.

O contacto de galegos e portugueses cun medio
natural
forte propicia unha visón panteísta da
natureza. A institución do monte comunal, por
exemplo, reflicte un aproveitamento colectivo dos
recursos naturais, o mesmo que acontece nas
comunidades pescadoras.

As Cocas de vilas galegas e portuguesas son un bo
exemplo de manifestación común idéntica, asociada
a un rico patrimonio inmaterial de Mitos e Lendas
populares.

Nas artes da pesca obsérvase un importante
coñecemento do medio natural e dos seres vivos
marítimos.

O traballo da muller, presente en todas as
actividades tradicionais, ten un gran destaque no
marisqueo ou na apaña do argazo. Símbolos como o
da cuncha xacobea ou os búzios son característicos
do noso imaxinario colectivo.

A lamprea constitue un exemplo dun produto
natural específico desta rexión, con formas
culinarias e gastronómicas que realzan a identidade
común.

Verão

No verán prodúcese o momento culminante do ciclo solar e tamén, polo tanto,
englóbanse nel todas as manifestacións de carácter festivo, lúdico e de lecer.

A festa de San Xoán é unha celebración ligada
directamente ao ciclo solar cunha forte
implantación no imaxinario colectivo e uns
interesantes compoñentes de botánica tradicional.

As romarías e as procesións marítimas ilustran as
intensas relacións marítimas presentes desde
sempre entre ambos pobos. A toponímia marítimocosteira
é un elemento importante do acervo
cultural inmaterial.

A variada tipoloxía de embarcacións tradicionais
ilustran as semellanzas e a excelencia técnica das
formas de construcción e navegación tradicionais,
con importantes elementos inmateriais como a
nomenclatura dos compoñentes e a simboloxía
asociada, por exemplo, coas marcas de construtor
ou marcas poveiras.

Tanto no mundo rural como no mundo urbano
prodúcese unha forte participación popular nestas
formas comunitarias de diversión, lecer e
relixiosidade tradicional, cunha forte carga
identitaria asociada co poboamento disperso
agrupado en freguesias ou parroquias de orixe
precristiá.

A música tradicional traduce unha excelencia nos
oficios, tanto no propio dos músicos como no dos
construtores de instrumentos tradicionais, co orixe
no fondo dos tempos.

Directamente asociadas coa música están as danzas
propias que constitúen unha marca de identidade
colectiva que permanece en moitos lugares do
mundo con presenza da emigración galegoportuguesa.
Cada danza presenta, á súa vez,
variadas e interesantes características locais.
Denominadas tamén Cantares ao Desafio,
Despiques ou Desgarradas, son un elemento
fundamental en perigo de desaparición inminente
en Galiza. Maniféstase nelas a retórica popular, a
ironía ou "retranca", con raíces situadas nas propias
cantigas de escarnio e maldizer dos trobadores e
xograres medievais.

Outono

Na estación do Outono prodúcese a recolla dos produtos ofrecidos pola Nai
Natureza, actividades nas cales se produce un rico e variado patrimonio de
carácter inmaterial.

A vendima ou os lagares de aceite, son exemplos
destes eventos colectivos, asociados a múltiples
espresións culturais.

As transformacións secundarias, como a destilación
dos bagazos
, fomentan a transmisión oral, asociada
con formas de maxia e crenzas, da que son exemplo
os esconxuros da queimada.

O liño é un exemplo de cultivo tradicional en perigo
de desaparición que se pretende revitalizar asociado
coas modernas tecnoloxías nun xeito de
desenvolvemento sustentábel.

O millo, cultivo de introdución tardía, é un exemplo
da capacidade de adaptación ás mudanzas e a
incorporación nestes de novos elementos
patrimoniais , como as esfolladas ou os seráns.

A castaña, produto natural característico da rexión,
produce manifestacións culturais comúns e propias
como é o caso do magosto.

O carro de bois, elemento de transporte terrestre
por excelencia, incorpora oficios como o do
construtor e o de arrieiro, interesante nomenclatura
propia e os coñecementos propios do cuidado dos
animais.

Inverno

O inverno é a estación final do ciclo anual, na que se engloban as
transformacións finais dos produtos de orixe natural.

O tear do liño e os bordados son exemplos da
importancia e excelencia do traballo da muller.

Os encaixes ou rendas de bilros constitúen mostras
da comunidade cultural existente, que xa se
converteu nun intenso proceso de transmisións
patrimonial ás xeracións máis novas.

O traxe tradicional constitúe un elemento de
excepcional elaboración e requinte, cunha variada e
rica simboloxía nas formas e cores e nos
ornamentos, produto dunha tradición que data da
época castrexa.

Artesanía popular maniféstase a enorme
polivalencia do mundo rural tradicional, ligado a
unha grande auto-suficiencia.

Os múltiples e variados ofícios asociados con
produtos naturais ofrecen a excelencia das súas
realizacións e o patrimonio oral das linguas propias
ou falas gremiais.

In:www.opatrimonio.org